quinta-feira, 15 de março de 2012

DKW, A "PEQUENA MARAVILHA." PRIMEIRA PARTE

A DKW E A PEQUENA MARAVILHA

A DKW foi fundada por Jörgen Skafte Rasmussen na cidade de Zschopau, na Saxônia, Alemanha. Dinamarquês e naturalizado alemão, Rasmussen fundou a DKW em 1918. Inicialmente fabricava motores para bicicletas e motocicletas. As motocicletas DKW eram famosas pelo desempenho e robustez. Apesar de o nome DKW significar “Dampf Kraft Wagen” que, em alemão quer dizer, carro de propulsão a vapor, Rasmussen gostava muito dos motores dois tempos, principalmente os de pequena cilindrada utilizado nas motocicletas, então, ele mesmo batizou de “das kleine Wunder”, ou, a pequena maravilha em alemão denunciando a sua predileção. O primeiro protótipo de carro DKW foi o modelo P15 em 1928. Tinha dois cilindros, 584 c.c. e 15 cv.

DKW P15 1928

Em 1928 Rasmussen se torna acionista majoritário da Audi. Em 1930 surge o grande DKW: O P 25 “4=8”, ou um quatro cilindros que equivalia a um de oito cilindros quatro tempos. Esse modelo utilizava um motor de 780 c.c. e quatro cilindros em V, com 22 cv. Mais tarde o motor passou a 992 e 1050 c.c., com 26 e 32 cv respectivamente. Foi fabricado até 1939 sem conseguir se impor no mercado.

Em 1932, o grupo Auto Union, que, compreendia as marcas Horsch e Wanderer adquiriu a DKW e a Audi. O DKW F7 foi lançado e produzido de 1936 a 1939. Tinha um motor de dois cilindros em linha com 584 c.c. e 18 cv. O último DKW lançado antes da Segunda Grande Guerra, em 1939 foi o F8.

A DKW apresentou o modelo F9 em 1939, como protótipo. Com motor de três cilindros, 896 c.c. e 28 cv, o F9 não entrou em linha, pois a Segunda Guerra interrompeu o lançamento. Com o término do conflito e a fábrica destruída pelo conflito, a DKW foi nacionalizada e em 1949 passou a produzir o DKW, única marca remanescente do grupo Auto Union, na cidade de Düsseldorf com a Designação, Auto Union GmbH. O F9 foi fabricado pelos russos através da Alemanha Oriental com o nome de IFA.

DKW 1953 DKW F89 1950

O primeiro DKW pós-guerra foi o modelo F89, lançado em 1950. Tinha as linhas baseadas no F9 e motor de dois cilindros com 692 c.c. 23 cv. Lançada na versão sedan de quatro portas, coupé e conversível. Vieram também a perua (F89 U), e o furgão (F89 L).

Em 1953 surge o F91, com design mais bonito e motor de três cilindros, 896 c.c. e 34 cv. Dois anos depois surge o modelo F93/F94 com design mais apurado, carroceria mais larga, e com entre eixos maior. O motor era o mesmo anterior, mas, com 38 cv. O modelo coupé era o F93, O sedan de quatro portas, F94 e a perua, F94 U. Um modelo esportivo com carroceria de fibra de vidro foi lançado por produtores independentes sobre o chassi F93: DKW Monza. Com peso menor e 40 cv, esse veículo bateu diversos recordes de velociadde na sua categoria. Deixou de ser fabricado em 1958. A DKW lançou em 1956 o utilitário Munga("Mehrzweck Universal Geländewagen mit Allradantrieb") - "automóvel de uso universal para qualquer terreno com tração nas quatro rodas" em alemão. Esse utilitário com tração nas quatro rodas montado sobre a mecânica do DKW F93, foi destinado às tropas da Otan e polícia e utilização rural. Ficou em produção até 1968.

Importantes mudanças vieram em 1958. A Daimler Benz (Mercedes Benz) compra a Auto Union e introduz mudanças em toda linha. A fábrica muda de endereço: Ingolstadt, onde é fabricado o Audi atualmente. O DKW passa a se chamar Auto Union 1000. O logotipo DKW dá lugar aos quatro elos tradicionais da marca. Os motores agora com 980 c.c. rendiam de 44 a 50 cv. Os freios poderiam ser a disco opcionalmente assim como a transmissão automática Saxomat, e as portas não eram mais suicidas, abriam no sentido normal. Um novo painel era oferecido, muito parecido com o do Mercedes Benz. É lançado o modelo 1000 SP Coupé, uma miniatura do Thunderbird e apelidado de T-bird Baby pelos americanos. Era um coupé muito bonito com as linhas do esportivo americano sobre o chassi do Auto Union 1000. Foi fabricado até 1964 e o motivo do baixo número de vendas era o preço muito alto, ou 50% maior que o Auto Union 1000.

AUTO UNION S 1959 AUTO UNION SP 1960

Em 1959 os modelos Auto Union 1000 s nas versões coupé e conversível vinham com para brisas envolventes inspirado nos modelos norte americanos. Nesse ano é lançado o Auto Union Junior. Um carro com dimensões compactas, e estilo mais moderno que o modelo 1000. Utilizava motor de três cilindros, 741 c.c. e 34 cv. O Junior foi fabricado até 1965 nas derivações F11 e F12.

DKW F 102

DKW Junior 1960 DKW F102 1964

Em 1961 todos os modelos receberam a bomba automática que misturava o óleo 2 t à gasolina. Em 1963 os modelos 1000 derivados do F9 deixaram de ser fabricados, e são substituídos pelo DKW Auto Union F102. Este sedan de linhas modernas foi o último projeto da DKW. Lançado com duas e quatro portas, o F102 Utilizava motor de 1.175 c.c., três cilindros, dois tempos e 60 cv. Com a venda da Auto Union pela Daimler Benz para a Volkswagenwerk em dezembro de 1965, o DKW F102 é reprojetado pela Volkswagen e com algumas alterações de estilo e motor 1.7, quatro tempos projetado pela Mercedes Benz, o transformam no Audi 60, marca que a Volkswagen resolve fabricar em substituição à DKW. Em 1966 o DKW e “A Pequena Maravilha” de Rasmussen terminam o seu legado.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Volkswagen Karmann ghia - O modelo brasileiro - Segunda parte

O Karmann Ghia brasileiro foi lançado no Salão do Automóvel em novembro de 1962 como modelo 1963. Com as mesmas linhas do modelo alemão, ele também vestia a plataforma do sedan 1200. A única diferença entre o nosso 1200 e o alemão era a carcaça do motor tripartida que seria apresentada no Brasil em 1967 no 1300 e 1500, e no Brasil ainda utilizávamos o motor 1200 antigo com a carcaça diferente, e com potencia de 30 cv, diferente do 1200 alemão, cuja potência era de 34cv.

Karmann Ghia 1963.

Tirando essa inferioridade em relação ao alemão, o modelo brasileiro era bem acabado e construído na Karmann Ghia do Brasil, empresa que também fazia estamparia e ferramentas para a indústria automobilística. Como em outros países, o Karmann Ghia era charmoso, e com uma mecânica inquebrável era desejado por muitos, apesar do fraco desempenho e da carroceria mais pesada que a do sedan.Uma revista especializada teve contato com o primeiro modelo e fez um pequeno teste onde fez o seguinte resumo: “O KarmannGhia tem muitas características de um carro esportivo, daqueles que fazem seus donos desejarem voltar ao ponto de partida da viagem, só para sentir o prazer de dirigi-lo. Para isto, falta-lhe apenas mais motor, pois, “classe” ele tem de sobra.”

Em 1967 a Volkswagen lança o modelo 1500 e seu motor de 44cv ou 52 HP, pois, naquele tempo a potência era designada em HP pela norma SAE. O modelo 1967 vinha com poucas mudanças, sendo a mais importante o novo motor. Para o conforto, o lampejador do farol alto saiu do assoalho e passou a ser acionado pela alavanca do comando de seta.

O ano de 1968 foi de mais novidades. O Karmann Ghia vem com novas lanternas traseiras, painel com imitação de jacarandá, sistema elétrico de 12 volts e mais uma versão: O conversível, com muito charme.

Karmann Ghia convsersivel 1968.

O Karmann Ghia vem com mais novidades para 1970: motor 1600 de 50cv, rodas de quatro furos com bitolas mais largas, para choques de cantos vivos, e a adoção de quebra ventos, o que deixou o estilo original mais “sujo”.

Karmann Ghia 1970 1600. Karmann Ghia TC

Em 1970 a Volkswagen lanço como modelo 1971, o Karmann Ghia TC. Esse carro foi desenvolvido no Brasil e o estilo era inspirado no Porsche 911. Tinha mais espaço no banco detrás e utilizava o motor plano da Variant e TL, com dois carburadores e 58 cv. Não tinha nem de longe o mesmo charme e a esportividade do Karmann Ghia tradicional. O Karmann Ghia tradicional foi produzido até 1972 e o TC saiu de linha em 1976.