domingo, 3 de março de 2013

FORD ESCORT, UM LEGÍTIMO FORD INGLÊS QUE SE TORNOU MUNDIAL (segunda parte).



Escort  Estate 1986/1989

ESCORT MARK IV 1986/1989

 O Escort Mark IV foi lançado no início de 1986, com apenas um pequeno número de alterações em relação ao Mark III. Conhecido dentro de Ford como "Erika-86", foi imediatamente reconhecível como uma versão atualizada do modelo anterior, com uma frente de estilo suave e fastback suavizado com lanternas traseiras lisas. Como opcionais, novos recursos: Sistema ABS  anti-bloqueio (padrão nos modelos Turbo RS), um computador de combustível em modelos com injeção, e um pára-brisa aquecido. No entanto, o sistema de luz testemunha de combustível, nível de óleo, líquido de arrefecimento, e pastilhas de freio desgastadas já não vinham em qualquer modelo. O ar condicionado não estava disponível em carros vendidos na Europa, embora fosse uma opção em carros vendidos na Argentina e no Brasil. Em 1987, uma designação LX foi introduzida e ficou situada entre as versões L e GL.

Especificações do Escort Mark IV:
Modelo L: motores: 1,3 L, 1,4 L, 1,6 L à gasolina, e, 1,6 L/ 1,8 L diesel
Modelo LX: Motores: 1,3 L, 1,4 L, 1,6 L à gasolina.
Modelo GL: Motores: 1,3 L, 1,4 L, 1,6 L à gasolina, e diesel 1,6 L/ 1,8 L diesel.
Modelo Ghia: Motores: 1,3 L, 1,4 L, 1,6 L à gasolina.
Modelo Sport: Motor 1,6 L à gasolina (tiragem limitada em 1990)
Modelo Cabriolet: Motor 1,6 L CVH carburador (o mesmo do Mark III Escort XR3) ou injeção, 1,6 L motor CVH (XR3i)
Modelo XR3i: Motor 1.6 L  CVH equipado com o sistema de injeção Bosch K-Jetronic . Potencia de 105 CV (a partir de 1989, equipado com gerenciamento CEE-IV e 108 CV)
Modelo RS Turbo: Motor 1,6 L CVH com injeção e turbo Garrett T3 de 132 CV
MODELOS FABRICADOS NO BRASIL.
Escort Hobby: Motor 1,0 L CHT (gasolina apenas) e 1,6 L CHT (gasolina / álcool)
Escort L: Motores 1,6 L CHT e  VW EA-827 1,8 L  (gasolina / álcool)
Escort GL: Motores: 1.6 L  CHT e VW EA-827 1,8 L (gasolina / álcool)
Escort Ghia: Motores 1.6 L  CHT e VW EA-827 1,8 L (gasolina / álcool)
Escort XR3: Motores 1,6 L CHT Fórmula e VW EA-827 1,8 L (gasolina / álcool)
Escort XR3 conversível ( cabriolet): Motores 1,6 L CHT Fórmula  e VW EA-827 1,8 L (gasolina / álcool)
Foram produzidas séries especiais no Brasil:
Escort XR3 SuperSport (Benetton): Motor VW EA-827 1,8 L(gasolina / álcool), pintura personalizada.
Escort XR3 Formula: Motor VW EA-827 1,8 L (gasolina / álcool), suspensão eletrônica
Escort Guarujá (produzida na Argentina): Motor VW EA-827 1,8 L (gasolina / álcool), 5 portas
No Brasil, os motores 1.8 e 2.0 foram feitos pela Volkswagen (VW), como parte do acordo Autolatina, onde os motores Ford CHT foram usados ​​em carros da VW e vice-versa. As versões de 1,0L e 1,6 L utilizavam motores Ford CHT. Todas as versões depois de 1993 viriam com sistema de injeção de combustível, com exceção dos modelos Hobby. Além disso, o modelo Mark IV foi produzido até 1992 em todas as versões, exceto Hobby, que foi produzido até 1996.
            O Escort MARK IV recebeu interior totalmente novo. Na mecânica, um novo motor 1.4 do motor CVH foi introduzido, bem como a suspensão com numerosos ajustes para corrigir as críticas de longa data, tornando o Escort um excelente carro de passeio, com excelente qualidade.
Para o ano-modelo de 1989, o motor diesel foi ampliado para 1,8 L, enquanto as versões de entrada 1,1 L e 1,3 L foram atualizadas com a versão redesenhada HCS da família Kent / Valencia, o mesmo do Ford Fiesta Mark III. Para o mesmo ano, a Ford desenvolveu o sistema de injeção eletrônica de combustível substituindo a Bosch K-Jetronic no XR3i e no modelo Sedan - Orion Ghia, e um sistema de injeção de combustível mais simples substituiu o carburador nos modelos com o motor 1,4 L.
O modelo Orion, versão sedan, também foi beneficiado com o estilo do Mark IV. A transmissão automática de três velocidades foi substituída por uma variante da caixa de velocidades CTX stepless utilizada no Fiesta alguns anos antes. O modelo Orion 1600E de luxo vinha com assentos de couro, injeção de combustível, rodas de liga leve, e uma versão Ghia foi produzida durante 1989 e 1990. Um total de 1.600 unidades foram produzidas, 1.000 com acabamento em couro.        
                     As unidades para o mercado europeu continuaram a ser montadas nas fábricas de Halewood e Saarlouis. As vendas foram ótimas nessa década, pois, a produção de Escort e Fiesta aumentou o leque de opções, principalmente com a linha de produção do Fiesta em Valencia. Nessa época, o Escort foi descontinuado na África do Sul e substituído pelo laser e Meteor, embora a versão Bantam, um Escort baseado na pick-up permaneceu em produção, sendo reestilizado e  vendido como Mazda Rustler. Este Escort continuou em produção até 1995 em alguns mercados estrangeiros, especialmente da América Latina. Em 1993, o modelo Hobby foi introduzido no Brasil, usando um 1,0 L 50 CV, derivado do motor CHT 1.6.  Essa versão surgiu devido aos benefícios fiscais para os motores de 1 litro.
O motor 1,0 L foi único para o Brasil, enquanto que o motor 1,1 L foi vendido em todo o mundo. Este motor de 1,0 L especial era o mesmo CHT 1,6 L usado no Escort, mas com pistões menores, tornando-o menos potente, mas eficiente  em economia de combustível.
Não houve versões com um motor de alta potência no Brasil. O Escort mais forte era o Escort XR3 Formula 1991, que tinha 125 CV. O computador de bordo não estava disponível no Brasil.              

Escort Mark V 1986/1989
           

FORD ESCORT MARK V (1990-1992)

Escort Mark V 1990/1992

Escort Estate Mark V 1990/1992


         




   O Escort Mark V foi produzido nos seguintes países:
·         Inglaterra.
Escort RS Cosworth 4x4 1992
·         Valencia, Espanha.
·         Alemanha.
·         Brasil (1992/1996).
·         Argentina (1992/1996).
Motores e transmissão:
·         Motor 1297cc OHV "HCS"
·         Motor 1388cc OHC "CVH"
·         Motor 1596cc OHC "CVH"
·         Motor 1796cc OHC "Zeta"
·         Transmissão Ford BC4 manual de 4 velocidades                 
·         Transmissão Ford BC5 manual de 5 velocidades
·         Transmissão Ford MTX-75 manual de 5 velocidades
·         Transmissão Ford ATX 3 velocidades automática
·         Transmissão CTX Ford automática CVT
            A plataforma Escort MKV (e Mark III Orion saloon) chegou em setembro de 1990 com uma carroceria totalmente nova e uma versão simplificada da suspensão traseira com eixo a torção  (em vez de layout totalmente independente do Mark III). Inicialmente, os motores HCS 1,3 L, 1,4 L e 1,6 L à gasolina CVH e 1,8 L diesel foram herdadas do modelo antigo.
            Em 1992, uma nova família de motores denominada Zetec, com 16 válvulas foi lançada, trazendo melhor dirigibilidade, além de marcar o retorno do XR3i que estava disponível com duas versões do motor 1.8 L Zetec. O modelo com 150 PS (110 KW), versão RS 2000, também apareceu em 1991, com uma versão 16V do motor de 2 litros do Ford Sierra, e melhorou o prazer de dirigir promovendo ao Escort Mark V a condição de um veículo de ótimo desempenho na estrada.O modelo vinha mais recheado de equipamentos, como: direção hidráulica, vidros elétricos, travamento central, freios antitravamento eletrônicos, e ar condicionado.
            O ano de 1992 viu o lançamento do Escort RS Cosworth. Esse carro substituiu o Ford Sierra Sapphire RS Cosworth, e integrante da equipe Ford de Rally. Essa versão era muito forte, e usava motor turbo de 2,0 L Cosworth de 16 válvulas, gerando 227 CV (167 kW) e atingia 225 km / h, além de possuir  tração nas quatro rodas. Sua característica principal era o aerofólio traseiro de grande dimensão instalado em cima da tampa traseira.
As 2.500 unidades vendidas desse modelo foram feitas para fins de homologação para competição. A demanda para o carro era tão alta que a Ford manteve sua produção normal. A versão de rua tinha um turbo menor do que as versões de competição e, o grande aerofólio traseiro era opcional. A versão Cosworth do Escort deixou de ser produzida em 1996, mas já atingiu status de clássico e tem uma enorme legião de admiradores. No entanto, o carro não era realmente um Escort em tudo, pois, baseava-se na plataforma do Sierra e toda a mecânica, incluindo seu motor montado longitudinalmente, ou seja, esse Escort estava apenas vestido com painéis da carroceria para se assemelhar a um Mark V.
            O Escort Mark V foi lançado na América do Sul em 1992 como modelo 1993, sendo fabricado no Brasil e na Argentina, pela Autolatina, uma joint-venture entre a Volkswagen e Ford. Dessa fusão, o modelo XR3i era equipado com um motor de 2,0 L VW AP gerando 115 CV. Esta geração também gerou dois carros da marca VW com a mesma mecânica (mas diferentes estilos de carroçaria e interiores): Pointer (cinco portas hatchback) e Logus, um sedan com duas portas.
MODELOS 1992:
·         L
·         LX
·          XR3i
·          Ghia
MOTORES:
·         Motor 1,3 L (1297 cc) HCS 60 CV.
·         Motor 1,4 L CFi (1392 cc) CVH 71 CV.
·         Motor 1,4 L EFI (1392 cc) CVH 75 CV.
·         Motor 1,6 L G / H (1597 cc) CVH 90 CV.
·         Motor 1,6 L EFI (1597 cc) CVH 105 CV.
·         Motor 1,6 L EFI (1598 cc) Zetec 90 CV.
·         Motor1,8 L EFI (1796 cc) Zetec 105 CV.
·         Motor 1,8 L EFI (1796 cc) Zetec 115 CV.
·         1.8 L EFI (1796 cc) Zetec 130 CV.
·         1,8 L D (1753 cc) Endura D 60 CV.
·         1,8 L TD (1753 cc) Endura D 75 CV.
·         1,8 L TD (1753 cc) Endura D 90 CV.
·         2.0 L EFI (1998 cc) I4 150 CV.
·         2.0 L (1993 cc) Cosworth YBT 227 CV.

Ford Escort Mark Vb ( 1992 - 1995)

Escort Mark Vb 1992/1995
Escort Mark Vb Cabrio 1992/1995

Escort Mark Vb Estate 1992/1995










Países onde foi fabricado:
·          Saarlouis, Alemanha
·          Almussafes, Valência, Espanha
·          Halewood Body &, Inglaterra
·          Bursa, Turquia

Motores e transmissão.
·         Motor 1297cc OHV "HCS"
·         1388cc OHC "CVH"
·         1596cc OHC "CVH"
·         1598cc OHC "Zeta"
·         1796cc OHC "Zeta"
·         Transmissão Ford BC4 manual de 4 velocidades
·         Ford Ford BC5 manual de 5 velocidades
·         CTX Ford CVT automático
O design do Mark Vb foi criticado em relação ao original Mark V. O facelift da Ford não agradou nem no Escort nem no Orion. Um novo motor 1,6 L de 16 válvulas 90 CV Zetec foi introduzido, substituindo o CVH anterior. A injeção de combustível agora era padrão em todos os modelos à gasolina, e a Ford introduziu uma variante de quatro rodas motrizes do RS2000, proporcionando uma melhora sobre seus primos de tração dianteira. Foi também a primeira vez que o Escort recebeu freios a disco nas quatro rodas, de série em todos os modelos RS2000 e XR3i.
Outra novidade para 1993 foram os motores 1,3 L e 1,4 L TPI à gasolina e 1,8 L a diesel.
Em 1993, o nome Orion foi abandonado, passando a denominar-se Escort sedan. A estrutura também foi melhorada, com barras laterais de impacto, zonas de deformação melhoradas e, mais tarde, airbags. O airbag se tornou padrão muito mais cedo no Reino Unido. Essas melhorias tornaram o Escort e Orion, carros muito melhores tornando-os competitivos frente à concorrencia, se não o melhor da classe.
O facelift do Escort Mark Vb é citado de maneira errada como o Mark VI, assim como o Mark VI, por sua vez erroneamente sendo chamado de Mark VII, que na realidade nunca existiu.
Especificação dos modelos 1994:
·         L
·          LX
·          Si
·          Ghia
·         Ghia Si

Ford Escort Mark VI (1995-2000)

Escort Mark VI RS 4X4 (1995/2000)

Escort Mark VI Orion  Ghia 1995




Países onde foi fabricado:
·         Almussafes, Valência, Espanha
Escort Mark VI Cabrio (1995/2000)
·         Bursa, Turquia
·         Inglaterra
·         Saarlouis, Alemanha
·         General Pacheco, na Argentina.
·         Ford União, Obchuk, Belarus (1997-2000)
·          Chennai, Índia
Estilo de carroceria:
·         3 portas hatchback
·         5 portas hatchback
·         4 portas saloon
·         5 portas estate
·         2 portas - Cabriolet
·         3 portas furgão
Motores e transmissão:
·         1297cc OHV "HCS"
·         1388cc OHC "CVH"
·         1596cc OHC "CVH"
·         1598cc OHC "Zeta"
·         1796cc OHC "Zeta"
·         Transmissão Ford BC5 manual de 4 velocidades
·         Ford Ford IB5 manual de 5 velocidades
·         CTX Ford CVT automático
 O design do Escort foi revisto em Janeiro de 1995, embora ainda baseado no modelo anterior. Esta versão tinha novos faróis dianteiros, capô, spoiler dianteiro, para-choques dianteiros e traseiros, espelhos retrovisores, maçanetas e novas grades(superior e do para choque). O interior do carro foi alterado com um novo painel de desenho muito bonito e com material de melhor qualidade. No entanto, os cinco anos de idade denunciava um desenho datado e a maioria de seus rivais eram novos ou a serem substituídos em breve.
Os dois motores de entrada foram revistos: O 1,3 litros recebeu a versão mais recente da família Kent / Valencia, o Endura-E a partir do recém-lançado Fiesta MK IV e Ka, enquanto o CVH 1.4L foi substituído pela unidade atualizada CVH. Não foram feitas alterações no motor 1.8 diesel nem nas unidades Zetec 1.6/1.8 da opção superior da gama. A versão melhorada da transmissão IB5 BC foi introduzida posteriormente.
Dinamicamente, o Escort foi muito melhorado com a suspensão revista criada a partir da  anterior Mark V/Vb. O esportivo "Si" vinha com a suspensão ligeiramente mais dura do que a as versões LX e Ghia, embora o Si fosse o mesmo LX com algum acessórios adicionais, principalmente os cosméticos, tais como, spoilers dianteiro e traseiro, bancos esportivos e instrumentos de fundo branco do painel.
Os modelos RS2000 teve a produção encerrada em junho de 1996, e foram os últimos a usar o famoso distintivo RS. O emblema RS só retornaria no Focus RS, que, chegou em 2002. Um novo modelo Ghia foi introduzido por volta de 1996, e vinha equipado com, ar condicionado e uma disqueteira para 6 CDs. Embora a oferta de equipamento do Ghia tenha sido diminuída, o modelo estava agora mais acessível.
O último modelo a ser introduzido em 1997, foi o GTi, o único GTi da Ford nunca vendido na Europa. Este modelo utilizava o mesmo motor 1.8 Zetec 16V de 115 cv, das versões normais, mas, era equipado com um kit de carroceria opcional emprestado do descontinuado RS2000, volante e estofamento em couro mais o equipamento de série, como o ABS. O GTi estava disponível em 3 carrocerias de cinco portas hatchback.
Em 1998, a Ford anunciou um carro totalmente novo, o Focus, que substituiu o Escort e encerrando a carreira do "Escort", que, estava em uso por 30 anos. A gama Escort foi reduzida para apenas pequenas edições, e foi vendido por mais dois anos, em paralelo com o Focus. Todos os motores, exceto a gasolina 1,6 L e 1,8 L turbo diesel foram retiradas, assim como o hatchback de três portas, quatro portas sedan e cabriolet (exceto na Europa continental, Nova Zelândia, África do Sul e América do Sul).
 O preço mais competitivo conseguiu manter as vendas Escort Europeu até o último modelo, que, deixou a linha de montagem de Halewood, em julho de 2000.
A versão Station Wagon permaneceu em produção até 2002, quando o novo modelo Transit Connect foi introduzido. O Escort nas versões hatch e sedan foram produzidos na Argentina até 2004, tendo sido vendido ao lado de seu sucessor (o Focus) durante os estágios finais da produção. O Escort Van oferecido desde 1968, embora tivesse maior mercado no Reino Unido do que na Europa continental, desde os anos 1950, quando o Ford Anglia oferecia a opção Van, também foi descontinuado e passou a ser representado pelo Ford Transit Connect montado na Turquia.
No Chile, para evitar confusão com o Escort norte-americano ( na verdade um Mazda 323 com nome Escort), que estava sendo vendido junto com ele, esta geração foi vendida como o "EuroEscort" por vários anos.
No Reino Unido, o Ford Escort é o carro mais vendido de todos os tempos, com mais de 4.000.000  de unidades vendidas durante seu ciclo de produção em 32 anos, de acordo com as pesquisas.
O modelo MK3 (1980-1986), foi o modelo mais comum de carro visto em estradas britânicas em dezembro de 1989, com quase 1,5 milhões de exemplares registrados.


domingo, 7 de outubro de 2012


FORD ESCORT, UM LEGÍTIMO FORD INGLÊS QUE SE TORNOU MUNDIAL (Primeira parte).
         O Ford Escort veio ao mundo em janeiro de 1968 nas mãos da Ford Inglesa. De concepção clássica, com motor dianteiro e tração traseira, ele veio para substituir o Ford Anglia, já defasado.

Um pouco de história
Ford Y 1933

         A Ford inglesa foi inaugurada em oito de março de 1911, na cidade de Manchester, em Trafford Park. Inicialmente eram montados os Ford T americanos e depois o modelo A. O primeiro Ford inglês foi o modelo Y em 1933, já na cidade de Dagenham, Essex. O motor era um quatro cilindros com 1.172 c.c., com válvulas laterais e 34 cv.

Ford Anglia 1949/1952
Ford Anglia 1939





            Em 1939 surge o Ford Anglia, evolução do Ford Popular lançado em 1935. O Anglia vai ser citado, pois, é o antecessor do Ford Escort.  O Anglia sofreu alterações de estilo em 1948, 1953 e 1959. Em 1959, além das alterações de estilo profundas ele recebeu um novo motor. Tinha quatro cilindros em linha, 997 c.c., 41 HP, válvulas na cabeça, com diâmetro do cilindro maior que o curso, era superquadrado. Esse motor se tornou conhecido pelo seu nome de código "Kent.” As versões State (perua) e Super Saloon chegaram pouco tempo depois com a cilindrada de 1.198 c.c. e 53HP. Em 1967 o Anglia se despede.
Ford Anglia 1953

Ford Anglia 1967
Ford Anglia 1967


O Ford Escort Mark I

O Escort surge em janeiro de 1968 para substituir o Anglia. Essemodelo inaugura um processo de padronização na Europa, pois, passa a ser fabricado pela Ford inglesa e alemã. Idêntico ao modelo inglês, salvo algumas versões, e é claro a direção do lado direito na Grã Bretanha. Logo,  o Ford Escort tornou-se um sucesso de vendas. Embora fosse um carro de concepção clássica, com motor dianteiro e tração traseira por eixo cardan, o Escort trazia algumas novidades: Circuito duplo de freios, direção com cremalheira e suspensão dianteira Mc Pherson. Ele foi fabricado nas versões duas e quatro portas e perua. O motor era o mesmo “Kent” lançado no Anglia em 1959, mas, com cilindrada aumentada para 1.100 c.c.c e 54 HP. Um motor maior de 1.300 c.c. veio com duas opções: 63 HP na versão normal e 75 HP na versão GT. Em janeiro de 1970 foi lançado o modelo RS1600. Esse modelo usava o bloco Cosworth DBA utilizado na Formula 2. Com duplo comando no cabeçote e dois carburadores duplos, alcançava 122 CV DIN. Em novembro de 1970 surge o Escort México com o motor 1600 do RS amansado com um carburador apenas e 86 CV DIN.
Escort 1968
Escort Rallye 1,6 Twin Cam 1968









            Após sete anos de sucesso, surge o Escort Mark II, totalmente renovado em janeiro de 1975. A plataforma era a mesma: clássica, com motor dianteiro e transmissão por cardan. Um modelo mais simplificado foi lançado em julho de 1975: Escort Popular. Também havia um modelo denominado 940, com motor menor e fabricado na Alemanha para exportação. Com carroceria de duas e quatro portas, curiosamente a perua continuo usando a carroceria antiga, mas, com frente completa adaptada do modelo novo. Não foi um resultado dos mais felizes. O modelo 1300 era fabricado nas versões L, GL e Ghia. As potencias variavam de 54 CV, 57CV a 70 CV. O Escort 1600 só era oferecido nas versões Ghia e Sport, na Alemanha e Inglaterra. Na Alemanha havia o modelo RS2000, com motor de 4 cilindros em linha e comando no cabeçote com 110cv. Esse modelo alemão vinha com uma frente remodelada.
 Na Inglaterra surge o Escort México lançado em janeiro de 1976. Com motor 1600 S ostentava uma potencia de 96 CV.  A Ford inglesa lança em março de 1975 o modelo RS 1800 com um bloco Cosworth BKA e 125 CV.

Escort L 1975
Escort RS 2000 - 1979

            O Escort Mark III foi lançado em setembro de 1980. A Ford decidiu lançar nos Estados Unidos um derivado. A ideia era compartilhar componentes, mas, engenharia e regulamentos específicos não permitiram essa possibilidade.
Diferente da segunda geração de 1975, que utilizava a mesma plataforma do modelo de 1968, o Mark III foi inteiramente novo, uma ruptura aos dois modelos anteriores, do design Hatchback à concepção mecânica, pois, utilizava tração dianteira e motor transversal. Ele veio para concorrer com o Volkswagen Golf – considerado à época referencia nesse segmento. O novo Escort trazia um design muito moderno e eficiente na aerodinâmica. Com um acabamento mais refinado ele era um up grade em relação aos modelos anteriores. O design não era dois volumes e sim dois volumes e meio com a traseira terminando numa espécie de rabeta. A Ford denominou esse estilo de Aeroback. O coeficiente aerodinâmico era de 0,37, muito eficiente.
Os motores eram 1,3 L (69 CV) e 1,6 L (79 CV) CVH com comando de válvulas na cabeça e camara de combustão hemisférica. Havia uma versão 1,1 L do velho Kent rebatizado agora de “Valencia” baseada no motor do Fiesta 1,1 L. Uma versão 1.1 do motor CVH foi criada para alguns mercados até sair de cena em 1982. A suspensão era independente nas quatro rodas. O Mark III foi eleito em 1981, “Carro do ano Europeu” concorrendo com veículos de peso, na Itália, o Fiat Panda e na Inglaterra, o Austin Metro da Leyland.
O Escort era oferecido nas versões, Popular, L, GL, Ghia e XR3. Uma caixa de 5 marchas surgiu em meados de 1982 para todos os modelos modelos, exceto para o Popular e L.
         A crítica especializada não gostou da cambagem negativa das rodas traseiras e positiva nas rodas dianteiras. Também a suspensão dura feita para pisos muito lisos não foi poupada de críticas. Só no modelo para 1984 a suspensão teve melhoras de projeto melhorando o conforto e dirigibilidade. Para competir com o Volkswagen GTI a versão XR3 vinha com carburador de corpo duplo (96 CV), suspensão mais elaborada e mesmo só com uma transmissão de 4 marchas no início, ele conquistou o público jovem, passando a objeto de culto.A injeção de combustível chegou em 1983 – XR3i (105 CV). Foram acrescentadas as versões RS 1600i e RS Turbo (132 CV) em 1984.
O motor Diesel 1,6 L desenvolvido em Dagenhan foi lançado em 1983 para as versões L e GL. Era muito econômico para a época e ainda seria atualmente. O consumo era de 70 mp/g. Entretanto não era muito potente, com 54 CV e apenas 140 km/h de velocidade máxima.
Escort State L 1981
Escort GL 1.3 1980



Escort Mark III foi lançado com carroceria de 3 portas, e State (Perua), e a versão com 5 portas chegou em 1983 junto com a versão sedan de 4 portas denominada Orion e com a elegante versão conversível XR3 fornecida pela Karmann alemã. O nome Orion foi utilizado até 1993 sendo depois chamado simplesmente de Escort Sedan. Continua...
Escort Cabrio 1.6 1980






terça-feira, 17 de julho de 2012

CHEVROLET CHEVETTE, O PEQUENO CHEVROLET


CHEVROLET CHEVETTE, O PEQUENO CHEVROLET

       Na década de sessenta, o Brasil passou por uma grande transformação na indústria automobilística. Saímos de projetos obsoletos adaptados às nossas condições de estradas e clima,e passamos a ter modelos de automóveis mais atuais e em sintonia com o resto do mundo.
        A General Motors, que, já havia lançado o Chevrolet Opala em 1969, precisava de um carro pequeno para aumentar a participação no mercado que crescia rápido. O brasileiro já apreciava os modelos alemães da Opel, subsidiária da GM no velho continente. Assim como o Opala descendia do Opel Reckord alemão, a GM foi buscar inspiração no Opel Kadett/Olímpia, modelos econômicos, bonitos e confiáveis. Alguns Opel Kadett e Olímpia foram importados ou adquiridos de embaixadas alemães no Brasil. Eram carros bonitos, pequenos, econômicos e muito confiáveis, com uma mecânica tradicional, motor dianteiro longitudinal e traçao traseira por eixo cardã.
Opel Kadett 1968
Opel Kadett 1968










O PROJETO CHEVETTE

       No início da década de 1970 a GM brasileira começou a projetar o “Pequeno Chevrolet”. Claro que, mais uma vez, o braço Opel da GM alemã forneceu o modelo para realizar esse projeto. O Opel Kadett e o Olimpia foram a base do projeto Chevette. Esses modelos já mostravam sinais de cansaço no desenho, pois, haviam sido lançados em 1968, e a Opel projetava o novo Kadett alemão, base para o nosso Chevrolet Chevette brasileiro. Foram importados da Alemanha, alguns Opel Kadett e Olímpia (na verdade, praticamente o mesmo carro, salvo detalhes de estilo sutis). Uma equipe da GM brasileira foi para a Opel, na Alemanha trabalhar nesse novo Kadett, que, seria produzido em vários países com nomes locais: Inglaterra, Japão, Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos. O motor do Chevette brasileiro foi desenvolvido com comando de válvulas no cabeçote acionado por correia dentada e coletor de fluxo cruzado (cross flow), solução moderna para a época. Curiosamente o Kadett alemão continuou utilizando o motor antigo com 1,2 litros e 60 cv de comando lateral e válvulas na cabeça. O motor mais moderno foi utilizado somente no Chevette brasileiro e norte americano, sendo que o nosso tinha 1,4 litros e o americano 1.6 litros.
      O Chevette foi lançado em maio de 1973. Uma antiga revista especializada fez o teste completo e chegou a seguinte conclusão: “Em mecânica e estrutura o Chevette é o carro nacional mais atualizado”. Realmente o Chevette foi muito elogiado por sua dirigibilidade. Era gostoso de dirigir, embora não fosse tão econômico, ele agradou ao público. O acabamento simples foi melhorando com o passar dos anos e muitas versões surgiram. O motor de 1.4 litros rendia 60 CV e 9,5 kgf de torque.
Chevrolet Chevette 1973

Opel Kadett 1973









        Em 1975 a GM lançou uma versão popular, mas, era muito pobre, sem calotas, e apoio de braços nos painéis das portas. Não teve sucesso e durou apenas um ano. Em 1976 a GM lançou versões mais bem acabadas, com bancos reclináveis de regulagem milimétrica, super calotas e com mais opções de acessórios para aumentar o leque de ofertas, e lançou o modelo GP, um Chevette com aparência esportiva, com rodas de tala de seis polegadas e sobre aro de inox, retrovisor das portas esportivo, volante esportivo, faróis de milha na grade, faixas pretas no capo e laterais e detalhes em preto fosco. Acompanhou também um pequeno aumento da taxa de compressão que dava um melhor fôlego, mas, era um Chevette customizado pela fábrica. Para 1977, um novo painel de instrumentos com porta luvas com chave e calibragem no carburador para mais economia de combustível foram as principais novidades. A versão GP passa a se chamar GP II. A mudança do novo painel acompanha nova grafia com instrumentos condizentes com a proposta. Novas rodas com novo desenho e mais largas completavam a proposta, ainda com as faixas, mas, com a inscrição GP II. Havia a opção de taxa de compressão maior para uso de gasolina azul de mais octanagem.
            Em 1978 o design é modificado com nova frente com para lamas inclinados baseado no estilo dos Chevrolet americanos, novo volante e novas cores internas. O modelo GP não vem mais com a designação GP II e as faixas laterais e do capo do motor foram suprimidas. Agora o capo é preto fosco, rodas com sobre aro, painel mais completo e novo volante também esportivo. Equipado com carburador de corpo duplo a potencia aumentou em 4CV. No ano seguinte surge o Chevette de quatro portas para concorrer com o VW Brasília de quatro portas recém-lançado. Também foi lançada uma versão do Chevette destinado ao público jovem: Chevette Jeans. Com tecidos dos bancos e laterais semelhantes ao Jeans e para choque na cor preta, essa versão foi a resposta da GM a Volkswagen com o Passat Surf, também destinado aos jovens.

Painel do modelo 1973 a 1976
Painel do modelo 1977 a 1982
   Em 1980 novos para choques, lanternas traseiras maiores e bancos redesenhados. Um novo modelo é adicionado à linha Chevette: O modelo Hatch, cópia do Opel City alemão.  Muitas novidades no ano de 1981: É lançada a perua Chevette Marajó, cópia da Opel Kadett Caravan alemã. Vieram também novos faróis quadrados na mesma moldura do farol anterior. Novos tecidos e novas cores. Chega também o motor 1.4 a álcool e no fim do ano é apresentado o Chevette  esportivo: O SR. Montado sobre a carroceria do Hatch, ele trazia rodas e volante esportivos, painel diferenciado e o melhor; motor 1.6 com 72 CV e 10,8 kgf de torque. Não era um esportivo de verdade, mas, andava melhor e naquela época era muito rápido para a proposta.

Chevette 1978

Chevette 1980
O cambio de cinco marchas é lançado em 1982 como opcional, e que acabou sendo incorporado a toda a linha com o passar do tempo, pois, a diferença de preço era muito pequena diante da economia e conforto de marcha. O motor 1.6 antes destinado à versão SR passa a ser oferecido para todos os modelos como opcional e com o tempo passa a ser de série. Em outubro de 1982 é lançado a linha 83.


Chevette Hatch 1980
Foi a mudança mais profunda de estilo sofrida pelo Chevette. Nova frente e traseira, inspiradas no recém-lançado Chevrolet Monza e o novo painel fizeram do Chevette um novo carro, mais bonito e mais atual. A padronagem dos tecidos e o acabamento mais luxuoso tornaram o Chevette um carro mais interessante. Foi um sucesso e o público respondeu com o crescimento das vendas. O modelo Hatch ganhou uma traseira do tipo dois volumes e meio, como uma rabeta.



Chevette 1983
Chevette Marajó 1981





       

   


A família Chevette cresce em setembro de 1983: Chevy 500, esse é o mais novo irmão. A Chevy é uma pickup leve, pronta para brigar com a Fiorino da Fiat e a Ford Pampa derivada do Corcel. As linhas eram muito bonitas e equilibradas. A capacidade de carga era de 500 kg, incluído o motorista. Por ter um design bonito e tração traseira, conquistou muitos admiradores.
Chevy 500 1984
A GM ousou lançando a opção do cambio automático em 1985 e o ar condicionado em 1986. Eram opcionais desejáveis, mas, que penalizavam o desempenho e consumo do pequeno Chevrolet, sem falar no preço que o colocava em outra faixa de mercado. Esses opcionais foram oferecidos por pouco tempo devido a pouca procura.
           



Chevette SE 1987


      Para 1987 o Chevette experimentou uma mudança de estilo e acabamento que o tornaram mais bonito e mais atraente, e a versão de luxo passou a ser designada SE.Nova grade dianteira, novos para choques em material plástico e borrachão lateral, o aproximaram ao estilo do Monza do qual herdou também os retrovisores das portas. Os bancos ficaram melhores e com design, com apoio de cabeça separado, novos instrumentos no painel e nova lanterna traseira. Para completar, novas calotas com design bonito e de bom gosto cobriam toda a roda. O modelo 88/89 veio com mudanças no motor, anéis mais finos, coletor e carburador de corpo duplo conferiam 82 cv na versão a álcool e 73 cv na gasolina. Rodas de liga leve eram opcionais. Também em 1988 o modelo Hatch sai de linha e no ano seguinte é a vez da Marajó se despedir do mercado.
Chevette DL 1991
Para 1991, a GM retirou as opções de acabamento e simplificou em uma única versão: DL. Era luxuosa como a SE, e utilizava rodas de aço com calotas simples. Os opcionais eram, nova roda de liga leve, radio AM/FM, ar quente e alarme.






UM SOPRO DE VIDA
        Para não ficar de fora do disputadíssimo mercado dos carros 1.000, a GM foi à luta com as armas que tinha, e em 1992 lançou o Chevette Junior com motor 1.0 de 50 CV, o mais fraco dos populares do mercado, mas, com a fama de manutenção barata e mecânica confiável ele seria a opção até a chegada do Corsa em 1994. O modelo 1.6 vinha só na denominação L. 


Chevette L 1993

Chevette Junior 1.0 1993
















Em 12 de dezembro de 1993 toda a linha Chevette tem a produção encerrada. A Chevy 500 ainda fica no mercado até a chegada da pickup Corsa em 1995. No total foram fabricados cerca de 1.600.000 carros, uma história de sucesso sem dúvida.
             



























sábado, 12 de maio de 2012

O DKW brasileiro - A história da Vemag


       O DKW nacional era conhecido como DKW Vemag. Na verdade a Vemag S/A era a sigla de Veículos e Máquinas Agrícolas, fundada em 1955 e instalada no bairro do Ipiranga, São Paulo, numa área de 87.114m2. Na verdade a Vemag existia desde 1945, como distribuidora e montadora dos veículos, Studebacker, Massey Harris, Scania Vabis, Kenworth e Ferguson. Com a importação de veículos proibida no Brasil ocorrida em fins de 1952, a Vemag inicia o processo para fabricar o DKW brasileiro. Em 1955 a nova denominação da Vemag passa a ser DKW Vemag, pois, passaria a produzir o DKW em solo brasileiro em julho de 1956.

  O primeiro DKW brasileiro foi uma camioneta - DKW F91 UNIVERSAL 1953 alemã que, na sua versão tupiniquim chamava-se DKW Vemag modelo Vemaguet. Com um motor de três cilindros, dois tempos, 900 centímetros cúbicos e 38 CV, chassi com longarinas em X e tração dianteira, o nosso DKW nacional chegava às ruas. Era um sentimento de orgulho poder possuir um automóvel fabricado no Brasil. As pessoas começaram a se acostumar com aquele barulho sincopado do pum, pum, pum, do motor dois tempos e a característica da fumaça azulada do óleo misturado à gasolina, como nas lambretas e muitas motocicletas da época.       


Em 1958 é lançado o modelo sedan de quatro portas, o Belcar que, juntamente com a Vemaguet, inaugurava uma nova carroceria com novo design e mais larga, idêntica ao modelo alemão F93/F94 lançado na Alemanha em 1955. O DKW já se firmava como uma opção de carro muito interessante, pois, era relativamente econômico, e ainda podia transportar seis passageiros com relativo conforto e levar muita bagagem, na versão Vemaguet. No mesmo ano é lançado o utilitário Candango, versão brasileira do MUNGA alemão. Inicialmente o nome seria Jipe DKW, mas, a Willys, detentora da patente do nome Jeep, não permitiu. Como a capital, Brasília estava em processo adiantado de construção, o nome Candango foi uma homenagem aos homens desbravadores que foram para o planalto central contribuir para a construção do novo sonho do presidente JK. O Candango vinha com opções de tração em 4X2 e 4X4. Com muita agilidade e desenvoltura o jipinho agradou, mas, a pouca potência e o alto custo da transmissão importada 4X4 não permitiram que ele tivesse vida longa e deixou de ser produzido em 1963.                                                  
                                                                         
    Em 1959 os motores passaram de 900 para 1.000 centímetros cúbicos. Esse motor de 1 litro passou a 50 cv. Para 1960 todos os modelos DKW tiveram as quatro marchas totalmente sincronizadas. Em 1961 as portas traseiras do Belcar foram aumentadas e passaram a abranger parte do   para lama, o que se traduziu em mais acessibilidade interna, e o estilo foi retocado com novos para choques e detalhes. Com a intenção de oferecer uma opção mais barata no modelo Vemaguet, é lançada em 1963 a versão Caiçara, mais simples, com grade, calotas e para-choques pintados, estofamento rústico e porta traseira inteiriça ao invés de duas folhas.     

  No ano de 1964 é lançado o modelo 1001, e a maior novidade é as portas dianteiras abrirem no sentido normal, perdendo os apelidos um pouco desabonadores: “portas suicidas”, pois se abrissem com o carro em movimento o motorista ou passageiro poderiam ser jogado para fora, ou “deixa ver”, em alusão às pernas das mulheres, já que as portas abriam em sentido contrário, as mulheres ficavam numa posição desconfortável ao desembarcar do carro. Também vieram as novas maçanetas, painel estofado e novo revestimento do porta-malas. A melhor novidade para esse ano foi o novíssimo DKW Fissore. Esse carro foi projetado no Brasil e teve a carroceria desenhada na Itália pelo Estúdio Fissore. A carroceria três volumes era muito bonita e com grande área envidraçada. Utilizava o mesmo chassi do Belcar. O design estava sintonizado com as tendências europeias. O motor 1000 tinha um pouco mais de potência: 60 cv, e vinha com o Lubrimat, um equipamento que misturava o óleo 2 t à gasolina sem a necessidade de se adicionado ao tanque, pois, ele tinha o seu próprio reservatório. Os maiores problemas do Fissore eram o peso excessivo e o preço elevado. Para efeito de comparação de como era caro, um Simca Chambord, categoria superior custava em agosto de 1964, CR$6.195.000,00 (moeda da época), e o Fissore, CR$6.950.000,00.




                               








Com o intuito de oferecer um carro popular, a DKW lança em 1965, o Pracinha, uma Vemaguet despojada e vendida através de financiamento pela Caixa Econômica Federal. Essa foi a primeira tentativa de se popularizar o automóvel no Brasil. O DKW Pracinha era tão rústico que não havia porta luvas, luz interna, esguicho para o limpador de para brisas e nem revestimento da porta malas. As calotas e para-choques eram pintados. Também foi suprimida a roda livre e o Lubrimat. As cores eram simples e não havia a opção de saia e blusa (combinação de duas cores). Nesse ano a DKW linha Rio, para homenagear a cidade do Rio de Janeiro na passagem do IV Centenário. Foi lançado então o DKW modelo Rio que, vieram com novos para choques, nova grade dianteira, acabamento interno de melhor qualidade e o Lubrimat, já lançado anteriormente no Fissore e estendida a toda linha. No ano seguinte só novas cores e pequenas melhorias.                                       

 A mais extensa mudança ocorreu nos modelos 1967. Os modelos Belcar e Vemaguet vieram com nova grade, novos para-choques, faróis duplos, novas lanternas traseiras, interior remodelado e mais luxuoso, novo volante, isolamento acústico melhor e sistema elétrico com 12 volts e alternador. O Fissore teve apenas a alteração de nova lanterna traseira e o mesmo sistema elétrico de 12 volts e alternador de toda a linha.
      Infelizmente toda a linha DKW foi tirada de linha no ano de 1967. Esse desfecho era esperado, pois, a Volkswagen alemã havia comprado em 1965 os direitos de fabricação da Auto Union, detentora da marca DKW. Como a Vemag não conseguiu uma fábrica estrangeira para manter parceria, não teve solução senão fechar as portas. Um fim melancólico para a pioneira fabrica brasileira.                     
        

























                

quinta-feira, 15 de março de 2012

DKW, A "PEQUENA MARAVILHA." PRIMEIRA PARTE

A DKW E A PEQUENA MARAVILHA

A DKW foi fundada por Jörgen Skafte Rasmussen na cidade de Zschopau, na Saxônia, Alemanha. Dinamarquês e naturalizado alemão, Rasmussen fundou a DKW em 1918. Inicialmente fabricava motores para bicicletas e motocicletas. As motocicletas DKW eram famosas pelo desempenho e robustez. Apesar de o nome DKW significar “Dampf Kraft Wagen” que, em alemão quer dizer, carro de propulsão a vapor, Rasmussen gostava muito dos motores dois tempos, principalmente os de pequena cilindrada utilizado nas motocicletas, então, ele mesmo batizou de “das kleine Wunder”, ou, a pequena maravilha em alemão denunciando a sua predileção. O primeiro protótipo de carro DKW foi o modelo P15 em 1928. Tinha dois cilindros, 584 c.c. e 15 cv.

DKW P15 1928

Em 1928 Rasmussen se torna acionista majoritário da Audi. Em 1930 surge o grande DKW: O P 25 “4=8”, ou um quatro cilindros que equivalia a um de oito cilindros quatro tempos. Esse modelo utilizava um motor de 780 c.c. e quatro cilindros em V, com 22 cv. Mais tarde o motor passou a 992 e 1050 c.c., com 26 e 32 cv respectivamente. Foi fabricado até 1939 sem conseguir se impor no mercado.

Em 1932, o grupo Auto Union, que, compreendia as marcas Horsch e Wanderer adquiriu a DKW e a Audi. O DKW F7 foi lançado e produzido de 1936 a 1939. Tinha um motor de dois cilindros em linha com 584 c.c. e 18 cv. O último DKW lançado antes da Segunda Grande Guerra, em 1939 foi o F8.

A DKW apresentou o modelo F9 em 1939, como protótipo. Com motor de três cilindros, 896 c.c. e 28 cv, o F9 não entrou em linha, pois a Segunda Guerra interrompeu o lançamento. Com o término do conflito e a fábrica destruída pelo conflito, a DKW foi nacionalizada e em 1949 passou a produzir o DKW, única marca remanescente do grupo Auto Union, na cidade de Düsseldorf com a Designação, Auto Union GmbH. O F9 foi fabricado pelos russos através da Alemanha Oriental com o nome de IFA.

DKW 1953 DKW F89 1950

O primeiro DKW pós-guerra foi o modelo F89, lançado em 1950. Tinha as linhas baseadas no F9 e motor de dois cilindros com 692 c.c. 23 cv. Lançada na versão sedan de quatro portas, coupé e conversível. Vieram também a perua (F89 U), e o furgão (F89 L).

Em 1953 surge o F91, com design mais bonito e motor de três cilindros, 896 c.c. e 34 cv. Dois anos depois surge o modelo F93/F94 com design mais apurado, carroceria mais larga, e com entre eixos maior. O motor era o mesmo anterior, mas, com 38 cv. O modelo coupé era o F93, O sedan de quatro portas, F94 e a perua, F94 U. Um modelo esportivo com carroceria de fibra de vidro foi lançado por produtores independentes sobre o chassi F93: DKW Monza. Com peso menor e 40 cv, esse veículo bateu diversos recordes de velociadde na sua categoria. Deixou de ser fabricado em 1958. A DKW lançou em 1956 o utilitário Munga("Mehrzweck Universal Geländewagen mit Allradantrieb") - "automóvel de uso universal para qualquer terreno com tração nas quatro rodas" em alemão. Esse utilitário com tração nas quatro rodas montado sobre a mecânica do DKW F93, foi destinado às tropas da Otan e polícia e utilização rural. Ficou em produção até 1968.

Importantes mudanças vieram em 1958. A Daimler Benz (Mercedes Benz) compra a Auto Union e introduz mudanças em toda linha. A fábrica muda de endereço: Ingolstadt, onde é fabricado o Audi atualmente. O DKW passa a se chamar Auto Union 1000. O logotipo DKW dá lugar aos quatro elos tradicionais da marca. Os motores agora com 980 c.c. rendiam de 44 a 50 cv. Os freios poderiam ser a disco opcionalmente assim como a transmissão automática Saxomat, e as portas não eram mais suicidas, abriam no sentido normal. Um novo painel era oferecido, muito parecido com o do Mercedes Benz. É lançado o modelo 1000 SP Coupé, uma miniatura do Thunderbird e apelidado de T-bird Baby pelos americanos. Era um coupé muito bonito com as linhas do esportivo americano sobre o chassi do Auto Union 1000. Foi fabricado até 1964 e o motivo do baixo número de vendas era o preço muito alto, ou 50% maior que o Auto Union 1000.

AUTO UNION S 1959 AUTO UNION SP 1960

Em 1959 os modelos Auto Union 1000 s nas versões coupé e conversível vinham com para brisas envolventes inspirado nos modelos norte americanos. Nesse ano é lançado o Auto Union Junior. Um carro com dimensões compactas, e estilo mais moderno que o modelo 1000. Utilizava motor de três cilindros, 741 c.c. e 34 cv. O Junior foi fabricado até 1965 nas derivações F11 e F12.

DKW F 102

DKW Junior 1960 DKW F102 1964

Em 1961 todos os modelos receberam a bomba automática que misturava o óleo 2 t à gasolina. Em 1963 os modelos 1000 derivados do F9 deixaram de ser fabricados, e são substituídos pelo DKW Auto Union F102. Este sedan de linhas modernas foi o último projeto da DKW. Lançado com duas e quatro portas, o F102 Utilizava motor de 1.175 c.c., três cilindros, dois tempos e 60 cv. Com a venda da Auto Union pela Daimler Benz para a Volkswagenwerk em dezembro de 1965, o DKW F102 é reprojetado pela Volkswagen e com algumas alterações de estilo e motor 1.7, quatro tempos projetado pela Mercedes Benz, o transformam no Audi 60, marca que a Volkswagen resolve fabricar em substituição à DKW. Em 1966 o DKW e “A Pequena Maravilha” de Rasmussen terminam o seu legado.